domingo, julho 16, 2017

 

Um enriquecedor debate!


A comunicação do Eng Rui Sá, Sábado, no auditório municipal, a convite da Associação dos Amigos do Marco, proporcionou um debate intenso e enriquecedor sobre as questões autárquicas. A presença de três candidatos à autarquia (PS, PSD e CDU) foi a demonstração de que esta Associação Cívica tem razões para se orgulhar de servir a sua Terra, promovendo debates para se encontrar as melhores ideias que sirvam a orientação de um melhor futuro do seu Concelho.

A política antes de ser uma questão dos partidos é, desde o tempo dos gregos, um problema do exercício da cidadania. E, em tempos de grande desilusão dos partidos, o exercício da cidadania é a grande âncora onde se pode segurar a democracia. Foi agradável ver os candidatos à presidência do município presentes e participaram no debate. É significativo que os candidatos que apareceram e participaram no debate sejam, todos eles, naturais e residentes no Marco de Canaveses. De facto, só quem sente como sua a Terra onde nasceu, cresceu e fez amigos pode estar interessado em encontrar as melhores ideias para orientar a gestão da autarquia para onde se candidata. E isso marca a diferença entre um candidato e o que procura, através das eleições, um emprego político

No próximo dia 29 teremos o último debate deste ciclo, donde esperamos que saia uma carta cívica de compromisso para apresentar aos candidatos à Autarquia interessados.

sexta-feira, julho 14, 2017

 

Debate, amanhã, Sábado

Apareça!
in: JN
Foto de Antonio Ferreira.

segunda-feira, julho 10, 2017

 

Convite


Como seria gratificante, se os marcoenses que fazem parte ou não das listas dos diferentes partidos à Autarquia do Marco, aparecessem neste debate O Eng. Rui Sá foi vereador da Câmara do Porto e é professor universitário. Por toda a gente, mesmo entre aqueles que nada têm a ver com o seu partido, consideram-no um académico sabedor,  um político de convicções e um homem de diálogo.

Apareçam!

A democracia é, por excelência, uma forma de agir pela palavra.

Enriqueçam este debate!

sexta-feira, julho 07, 2017

 
iN jn


quarta-feira, junho 28, 2017

 

Debate na AACMC


Em democracia não há outra forma de lutar por uma sociedade melhor, senão pelo uso da palavra. Usar a palavra significa expressar ideias que reflectem convicções que configuram uma forma de ver a vida, o homem, a sua relação com os outros e o mundo. As melhores convicções são as que se sujeitaram ao confronto com outras ideias e receberam as contribuições da melhor reflexão. Uma palavra que não é a cópia de uma convicção, que não leva consigo uma ideia, que não traduz o que foi reflectido, é uma palavra vazia. Costuma-se até dizer: “fala muito, mas é vazio de ideias, é um papagaio, um parlapatão, um palavroso”. Os debates servem para promover confronto de ideias, apurar as melhores. E as melhores são sempre as que contribuem para um mundo mais justo.

Este debate com o Dr. Pedro Soares é mais uma oportunidade oferecida a todos os marcoenses pela AACMC, independentemente do partido a que pertencerem, para uma reflexão e confronto de ideias.

No dia 21 teremos o terceiro debate, no mesmo local, pelas 15h, com o Eng Rui Sá do PCP e, para terminar, no dia 29 do mesmo mês, teremos uma reflexão sobre espaço público, centralidade e comércio vivo com o Prof. Dr. Carlos Silva da U.M e o Antropólogo Dr. Fernando Matos Rodrigues, entre outros.

Apareça e traga um amigo, também!

segunda-feira, junho 26, 2017

 

Não digam que não Vos avisamos!


Estou preocupado, como muita mais gente que é marcoense e gosta da sua Terra! Sabemos que  isso pouco interessará aos do politicamente correto. Mas, porque o Marco de Canaveses é a nossa terra, a terra onde nascemos, crescemos e fizemos amigos, temos razões de coração, as que brotam dos caminhos, ruas e  locais que contam estórias da nossa vida, para tomarmos posição cívica nesta hora de proximidade de eleições.

Pessoalmente, sinto que talvez ainda haja quem se lembre de como a minha vida, desde muito novo, se prendeu á minha Terra, dos retiros que promovi no Convento de Avessadas, numa altura em que era fervoroso cristão; dos piqueniques que organizava nas margens do Rio Tâmega, onde aparecia o saudoso Dr. Aires Querubim; das récitas nos bombeiros, do tempo em que presidi à sua direcção, das actividades culturais e recreativas que promovi, desde a primeira descida em canoa do Rio Tâmega aos debates com Dr. Daniel Bessa e o saudoso Dr. Salgado Zenha; da colaboração com o saudoso Dr. Horácio na Promarco e ultimamente, há cerca de 19 anos, da luta que a Associação dos Amigos do Marco travou contra a prepotência, o arbítrio e o buraco negro da democracia em que se tinha tornado o nosso Concelho. Poucos saberão dos telefonemas  anónimos, ameaças e outro género de perseguições que muitos dos que estavam nessa Associação sofreram. Mas conseguimos abrir a porta para o actual presidente da Câmara, embora pareça que não o tenha notado! É certo que depois de muita insistência, conseguimos que a autarquia cedesse um espaço para sede da nossa Associação Cívica e fizemos do presidente da autarquia nosso sócio.

Tudo isto nos dá alguma moral para fazermos esta reflexão.

O lema da Associação dos Amigos do Marco foi sempre este: “Sem cidadania não há democracia”. E só há uma maneira em democracia de exercer a cidadania: é tomar a palavra para dizer o que está certo ou errado. Em democracia há o contraditório e nada do que se diga pode ser declarado intolerável. E quando isso acontece, a democracia está perdida.

Recentemente foi publicado “Os inimigos íntimos da democracia”  de Tzevetan Todorov, discípulo de Roland Barthes. É um livro que vale a pena ler.  Acusa como principal inimigo da democracia a ideia de que só a economia deve dominar a vida social. 

Quem assim pensa esquece que o cidadão tem uma vida psicológica e afectiva que faz parte da vida democrática. É por ela que sente pertencer a uma comunidade e ganha a dimensão de político. Tratar os cidadãos como meros instrumentos da produção de riqueza é não perceber o que é a democracia.

Os inimigos íntimos da democracia desprezam a representatividade como essência da democracia. Sem nos sentirmos representados em quem escolhemos, não podemos confiar em quem escolhemos. Representar os eleitores é ser capaz de compreender os profundos anseios das populações e dar-lhes resposta. É o povo o real titular do poder político que o delega em quem o possa representar. Os “políticos de aviário” não percebem isto e, por isso, o descrédito da partidocracia!

Hoje, reduziu-se a política a um mero espectáculo, centralizado numa só pessoa, egocêntrico. Até nas medalhas que, a granel, são distribuídas nos aniversários das autarquias não há a preocupação de interpretar um reconhecimento social de virtudes democráticas. O que parece imperar nesse gesto é o ego de quem as coloca no pescoço dos medalhados, parecendo querer-lhes dizer: “vejam como “eu” vos dou importância! Não se esqueçam de retribuir com a admiração que me devem!”

Talvez por isso, já ninguém se lembra dos medalhados do ano anterior e, assim, se vai banalizando uma cerimónia que antigamente tinha sentido e hoje se perdeu!

Tudo isto tem a ver com a profissionalização da política, com a completa desvinculação dos que são eleitos à comunidade que os elege. Alguns até nem são da terra, são atirados para um concelho como os mercenários eram atirados para uma guerra.

Autarquia significa o governo dos próprios pelos próprio e a perversão da democracia aconteceu logo que foi alterada a necessidade dos candidatos terem nascido ou serem recenseados nas autarquias a que concorrem.

Estamos à beira de mais um ato eleitoral: as autárquicas! A desilusão tem crescido e as divisões internas de alguns  partidos que concorrem no Marco tornam previsível uma enorme abstenção. Dizem-nos que as sondagens já o confirmam.

A abstenção não se combate com apelos ao voto, mas com a credibilidade dos candidatos, a capacidade dos partidos apresentarem listas que formem uma equipa reconhecida pelas suas virtudes políticas de honra, fieldade e ligação à sua terra. Mas para isso é preciso que o candidato seja capaz de resistir à pressão dos jogos de interesse que o obrigam a colocar ao seu lado quem lhe vai retirar a credibilidade que tem.

No meu entender, só a candidatura do PCP e a do BE, (se houver!), não sofrem essa pressão. Geralmente estas candidaturas são formadas por personalidades generosas, que fazem um sacrifício em serem candidatas. Personalidades geralmente de grande prestígio profissional (não são políticos de aviário), mas que o eleitorado, por preconceitos, não vota nelas. Falta-lhes a base social de apoio que lhes permita ganhar as eleições. E é pena, porque nas autarquias que gerem, têm sabido corresponder às expectativas dos seus eleitores.

Quem se disponibilize para servir como autarca uma terra, não pode aceitar que empurrem para a sua equipa os videirinhos, os chico-espertos, os que não dão garantias de espírito de serviço, que andam sempre á procura dos ventos de feição e só querem os primeiros lugares de uma lista pelos proventos que isso possa dar a si e à sua família. O candidato que não contrariar a pressão destes arrivistas cria a incredibilidade que favorece a abstenção e, com esta, pode acabar por dar a vitória ao paraquedista, ao candidato que cai numa terra para colher os votos dos desiludidos, dos que dizem: “vamos dar oportunidade a este que é diferente”.

Pertenço a um grupo de marcoenses que gosta da sua Terra e, por isso, fiz, em nome deles, esta reflexão. Espero que tenha valido a pena! De qualquer forma, não digam que não Vos avisamos!

João Baptista Magalhães

Sócio nº 1 da AAMC

terça-feira, junho 20, 2017

 

Pedrógão do sofrimento!

Já chegaram os vampiros, sentam-se à mesa da desgraça, fazem-se passar por aquilo que não são. E logo chegarão mais, virão para fazer contas á tragédia! Precisa-se de ar, mas os abutres vão fechando as janelas.
Que se pode dizer a quem perdeu os filhos, toda a família? O que foi de errado já nada conserta! Que lhe interessa uma ministra que fala sem olhar para quem a interroga, que lhe interessa que António Costa diga o que lhe convém dizer sem deixar que a pergunta incómoda possa aparecer? Que importa as edições especiais dos telejornais, chamando os mórbidos dos papalvos para o espectáculo da morte e do sofrimento, se o pesadelo se colou à vida de quem sobreviveu?
Amanhã será para muitos um outro dia, mas o silêncio dos mortos ficará para sempre nos soluços da grande noite, a que sucedeu para sempre à tragédia daquele dia.
Muitas promessas serão feitas, muitas coisas garantem serem corrigidas, muitos se cobrirão de glória sem que a mereçam, haverá quem enriqueça sentado na tragédia, mas tudo isto e muito mais que irá acontecer vai resvalar na indiferença de quem já não consegue desprender-se da noite, pesada noite, que nunca mais se transfigurará em esperança: uma imensa incredibilidade será a mortalha da vida dos que sobreviveram à estrada da morte.
Para quê dizer-lhes que estou solidário, que sofro com eles, se nada disto pode secar as lágrimas dum sofrimento horrível?

segunda-feira, junho 19, 2017

 

Os problemas ambientais não são só os da poluição. Sinto que é maior o da depressão para onde nos atiram. Esta ideia de transformar o sofrimento, a morte, o absurdo da vida num espectáculo televisivo atinge os mais sensíveis, os mais solidários, os melhores entre nós. Deveria haver regras para controlar esta obscenidade do reality Show que, sem pedir licença, entra dentro das nossas casas. Isso constrói e faz crescer as depressões. Soube há pouco que se matou um filho de um bom amigo. Sinto-me atirado para o silêncio do coração. Espero lá conseguir ouvir as asas dos anjos

sexta-feira, junho 16, 2017

 
Rui Rio encheu o auditório Municipal do Marco de Canaveses. Falou, a convite da Associação dos Amigos do Concelho, sobre “Economia e desenvolvimento regional”.
Pode-se discordar do seu ponto de vista, do seu paradigma de análise, mas é inquestionável o seu rigor, a sua coerência, a limpidez do seu discurso e da sua postura política. Pôs o dedo na ferida da democracia: os poderes fátuos, os lóbis que desprezam o interesse-comum. E chamou a atenção para a necessidade de profundas reformas, que permitam uma melhor representatividade dos cidadãos. Defende a regionalização, não apenas como descentralização de poderes, mas como forma de uma melhor representatividade política, que torne possível resolver a uma escala local o que continua a depender desnecessariamente do poder central. Muitas perguntas lhe foram feitas, o que revela o interesse da sua comunicação e significa que abriu portas para o confronto de ideias. A democracia é isso: debater ideias para encontrar as que melhor poderão servir o País e, sobretudo, diminuir o sofrimento dos que mais sofrem. Não há outra forma para a luta política em democracia.
A democracia tem os seus próprios inimigos: os que fazem dela um mero espectáculo, as figuras queirosianas, espécie de conselheiros acácios, que enchem a boca com os seus “notáveis” feitos de uma mão cheia de nada. E ainda, os fundamentalistas, os que acham que o único pensamento de “ciência certa” é a dos ocasionais directórios dos seus partidos.
No auditório via-se gente de todos os partidos, mas com a exceção do Eng. Mota, partido do Dr. Rui Rio, mais nenhuma candidato ao Concelho do Marco se encontrou. É pena que ainda se pense que nada se tem a aprender com o pensamento divergente! O pensamento único ou de conveniência continua a perverter a democracia.
Esta conferência foi a iniciação de um ciclo, onde contamos dia 8 de Julho com o Dr. Pedro Soares do BE, no dia 15 do mesmo mês, com o eng. Rui Sá do PCP e terminará com o FASE (Forum ambiente, sociedade e economia) Prof Dr. Manuel Carlos Silva da U.M.e Dr, Fernando Matos. A Associação dos Amigos do Marco já subscreveu o manifesto do Forum e estará representada pelo seu Presidente amanhã no seminário que A FASE promove no Porto.



terça-feira, junho 13, 2017

 

Ciclo de Conferências

A Associação dos Amigos do Concelho do Marco promove no Auditória Municipal o seguinte ciclo de conferências, sobre o tema: “A economia, o desenvolvimento regional e as autarquias”

Dia 15 de Junho 21 h. Rui Rio (PSD)“A Economia e o Desenvolvimento Regional

Dia 08 de Julho 16 h. Pedro Soares (BE) “O Desenvolvimento Regional e as Autarquias

Dia 15 de Julho, 16 horas (Rui Sá (PCP) “O desenvolvimento Regional e as Autarquias”

Está-se a fazer diligências para encontrar personalidades ligadas aos partidos com representação parlamentar que faltam.
Terminará o ciclo, em dia e hora a combinar, o Presidente do FASE (Forum Ambiente, Economia e Sociedade). A Associação dos Amigos do Concelho do Marco subscreveu o seu manifesto.

segunda-feira, junho 12, 2017

 
Não há outra forma! Em democracia só pelo debate de ideias podemos encontrar as melhores soluções para os problemas da nossa vida colectiva. E debater ideias não é ouvir o que já pensamos, mas confrontar as nossas razões com as razões dos outros. Este papel coube, desde a sua fundação, há 19 anos, a Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses.
Na próxima quinta-feira, dia 15 de Junho, pelas 21 horas, no Auditório Municipal, teremos o primeiro de um ciclo de debates sobre o tema: "Economia e desenvolvimento regional".
Será palestrante o Dr. Rui Rio, ex-Presidente da Câmara Municipal do Porto e figura de relevo do PSD - Partido Social Democrata.
Seguir-se-ão outros debates, estando já marcado para dia 08 de Julho, um outro, com Pedro Soares do BE. Oportunamente anunciaremos os restantes.
Não perca! Apareça! Um cidadão marcoense bem informado, defende melhor os seus interesses e os interesses da nossa vida colectiva.


terça-feira, maio 16, 2017

 

Forum por um futuro solidário


 

Treze de Maio, uma aparição abandonada em S. João da Folhada



Em tempos chamavam-lhe Senhora da Lapa, mas, agora, chamam-lhe Senhora da Aparecida. A lapa era um grande penedo no vocabulário da gente da Folhada. Mas também pode significar um enorme pesadelo que faz do dia-a-dia um tormento, ameaçando pelo medo o sentido da existência.

As aparições têm sempre a ver com respostas a dramas existenciais. São visões que incorporam a realização de um desejo gerado pelo imaginário colectivo. Precisamos de uma divindade, quando os demónios andam à solta.

Foi isso que aconteceu em S. João da Folhada no dia 13 de Maio de 1757. Nas fraldas da Serra da Aboboreira, nos limites da freguesia de S. João da Folhada com Várzea de Ovelha, apareceu Nossa Senhora a três pastorinhas.
A  memória colectiva nunca esqueceu esta aparição, como testemunha a muito antiga capela  construída sobre o bojo do penedo, onde Nossa Senhora apareceu. Foi só preciso que um manuscrito esquecido na Torre do Tombo viesse dar vida a um abandonado santuário. 

Nesse manuscrito, conforme é divulgado na obra “As Freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758”, afirma o, então, Abade de S. João da Folhada, José Franco Bravo:

 Nos limites desta Freguesia, quase nos seus confins, do lado poente e sul a confinar com a Freguesia de Várzea de Ovelha, nas fraldas dos grossos e ásperos matos da serra da Aboboreira, na parte do Sul, num cabeço do dito monte, no dia 13 de Maio de 1757, quase uma hora antes do pôr do Sol, andando três criaturas de idade menor, de menos de 12 anos, apascentando umas ovelhas no tal sítio chamado o Outeiro do Preiro, sem que nada vissem, ouviram uma voz que as chamava, cada qual pelo seu nome. Duas chamavam-se Maria e uma Tereza. Ao virarem o rosto, viram sobre umas ásperas pedras uma mulher encostada às altas fragas, de mediana estatura, mas de tão brilhante e resplandecente rosto que ficaram admiradas e logo lhes pareceu não ser mulher desta terra. Aproximando-se dela, ainda que um tanto surpreendidas de verem tal mulher e em tal sítio, foram por ela acolhidas com afagos, convidando-as a aproximarem-se. Entretanto, advertiu-as que deveriam saudá-la. Pegou na mão de uma, a que tinha ar de mais inocente, e á outra, retirou-lhe um rosário que trazia ao pescoço e lançou-o ao céu, enquanto com elas falava. À terceira, que era mais adulta, repreendeu-a do vício de falar do demónio. A todas disse que, chegando aos locais onde residiam a todos pedissem que jejuassem a pão e água nas primeiras Sextas-Feiras e Sábados. E que o mesmo pedido fosse feito a toda a gente que encontrassem ou com elas falasse. Uma das crianças, a mais faladora, perguntou-lhe quem era. Respondeu-lhe que depois de cumprirem o que lhes pedira e de fazerem uma romaria durante nove dias contínuos ao redor daqueles penedos em louvor de Nossa Senhora lhes diria quem era. E as três meninas cumpriram o que lhes foi pedido. E mal deram a notícia, apareceu logo muitas pessoas, umas de perto, outras de longe, e todas consideraram que o acontecimento era um milagre.”

E o Abade da Folhada, continuou: O que eu vi e observei, dei conhecimento ao mui Reverendíssimo Doutor Provisor deste bispado e pedi-lhe que mandasse averiguar o caso judicialmente. O referido senhor ordenou que fosse eu a observá-lo com prudência e que nada fosse desprezado. E empenhando-me a averiguar o melhor que pude e a colher o que os outros diziam, não encontrei, até ao presente, ninguém que contrariasse o que foi dito. Pelo contrário, encontrei pessoas muito fidedignas que me disseram ser um milagre, quando de noite, algum tempo atrás, se viu uma luz, no tal sítio, na véspera da Ascensão de Nossa Senhora de Agosto. Essa luz, que apareceu quase à meia-noite, era tão resplandecente que asseguram se podia ler uma carta à sua claridade à distância de quase meia légua. Nunca se tinha observado tanta luz. Além deste e outros testemunhos que recolhi, verifico que desde o ano passado ocorrem alguns milagres e o maior é a multidão de gente que continuamente ocorre para aquele sítio. Por consideração com o culto e devoção dessa gente, mandei colocar naquele sítio uma estampa de Nossa Senhora da Lapa e uma cruz de pau.”
O caso terá posto em sobressalto toda a gente da Folhada e das paróquias vizinhas. A partir de 13 de Maio de 1757, sob a inclemência do tempo, multidões acorriam à lapa do Outeiro do Preiro, vindos de diferentes partes da região, orando e fazendo penitência.  Acreditavam que aquelas três meninas da Folhada, filhas de gente muito pobre,  souberam acolher a mensagem que só do Céu, de Nossa Senhora, podia aliviar o pesadelo que afligia as suas vidas e abrir horizontes de um mundo melhor.

Para essa multidão de devotos, as circunstâncias dessa Aparição não poderiam ter maior significado: eram pobres e sentiam que, no mundo em que viviam, só Nossa Senhora os poderia salvar do abandono a que estavam votados, aliviar do pavor a sua vida e protegê-la da fúria das políticas do Marquês do Pombal.
No íntimo de cada peregrino, talvez existisse a convicção de que Nossa Senhora havia escolhido aquela enorme lapa para aparecer às três pastorinhas por ser a metáfora perfeita da dimensão do pesadelo que lhes esmagava o coração.

Por isso, cada peregrino regressava mais feliz a sua casa e nas terras por onde passava, ao descrever a felicidade que trazia, atraía mais peregrinações ao Outeiro do Preiro. Todos confiavam que Nossa Senhora lhes abrisse um rumo de vida diferente e essa crença alimentava as vantagens do sacrifício que faziam.
É nesta circunstância que o sagrado (Nossa Senhora) irrompe no profano para desobstruir o absurdo do mundo sem sentido e criar esperança num mundo melhor.

Mas esta hierofania não pode acontecer em mentes complicadas, que não são capazes de ”re-ligar”, unir pelo interior de si mesmo, o humano ao divino, o sagrado ao profano. Precisa de almas descontaminadas pelos preconceitos mundanos, almas puras que não complicam o que há de mais belo na vida do espírito: a contemplação do próprio espírito configurado numa divindade, seja  Nossa Senhora ou outra.

Há muitos pontos de encontro entre a aparição de Nossa Senhora da Lapa, em 1757, e a aparição de Nossa Senhora, em 1917, na Cova da Iria.


A Senhora da Lapa apareceu dois anos depois de catástrofe provocada pelo Terramoto de Lisboa que destruiu grande parte da Cidade,  deu origem a um devastador incêndio causado pelas velas que nesse dia, dia de todos os santos, estavam acesas nas igrejas de Lisboa, provocou milhares de mortos, criou o pânico e gerou medos na vida do povo. Em S. João da Folhada a torre-solar da Quinta do Vinhal desmoronou-se.

A dimensão dessa catástrofe foi tanta que dela houve notícia em toda a Europa, causando perplexidades e provocando um grande debate filosófico, científico e religioso sobre as suas causas e as suas repercussões. Até o Filósofo Kant escreveu sobre o assunto. E foi, nessa altura, que apareceu a sismologia.

Para a gente amedrontada da Folhada o Terramoto só poderia ser um castigo divino. E isso não poderia ser dito, porque contrariava a vontade do Marquês do Pombal. Todos os que assim julgassem eram atirados para as prisões e ficavam aí esquecidos até que a morte os levasse.

Mas, a verdade é que, depois da Restauração de Portugal, à luz dos ensinamentos cristãos, nunca teria havido tantos pecados como os cometidos pela luxúria de D. João V, pela vida depravada do seu filho, D. José, e, agora, pela húbris do seu secretário, Sebastião José de Carvalho e Mello, que não olhava a meios para assegurar as suas desmedidas ambições.

E vinha à memória da gente da Folhada o que contara o recoveiro a quem se confiava as mercadorias que iam ou vinham do Porto. Dera notícia de acontecimentos horrorosos que, logo a seguir, eram confirmados por familiares de taberneiros da cidade do Porto. O que tinha acontecido era terrível!... Quando, no Porto, em 23 de Fevereiro de 1757, os taberneiros e pequenos agricultores fizeram repenicar os sinos da Sé e da Misericórdia para anunciar a sua revolta contra o monopólio dos vinhos, José de Carvalho e Mello esmagou o motim com a ocupação militar da Cidade, a decapitação dos revoltosos, açoites, galés e confiscação de bens a outros envolvidos.  Diabolizou os jesuítas e os Távoras, acusando-os de serem os instigadores do tumulto. E não lhe bastando toda esta crueldade, criou um imposto só para os portuenses para serem eles a pagar os custos com as tropas que vieram de Aveiro para esmagar no Porto o motim.
Em 1917 também se vivia um contexto de pavor semelhante. Depois de oito séculos em que a Igreja católica era a religião oficial do Estado, a República não se limitava a ser laica como parecia hostilizar a religião católica. Apareceu a Carbonária que, perseguindo e enxovalhando padres, freiras e frades, criava o terror nas manifestações religiosas.
A separação radical entre o poder civil e o poder religioso dividia ao meio a gente simples do povo.

Somava-se a tudo isto os dramas que, desde 1914, a Primeira Grande Guerra causava em todas as famílias e os receios que iam surgindo de que uma Revolução na Rússia pudesse soltar ainda mais demónios.
O mundo da vida dos crentes estava dominado pelo pavor. Precisavam que o mundo do espírito lhes abrisse um sentido para a existência.

É neste contexto, muito semelhante ao vivido no séc. XVIII, que Nossa Senhora aparece na Cova da Iria, em Fátima, também a três pastorinhos.

Nas imanências mais dolorosas há sempre a procura da transcendência. Mas não é esse “re-ligare” que constitui a própria natureza da religião?

E sendo, assim, perguntamos: Por que Fátima ganhou o esplendor que falta à capelinha da Senhora da Lapa, sendo as circunstâncias semelhantes?!...
Talvez à Igreja do tempo de Salazar conviesse o que não convinha à do tempo do Marquês do Pombal. Mas não é a conveniência dos governantes, das ideologias ou mesmo das instituições que podem desvalorizar o que um dia terá dito Dostoiévski: “Precisamos de Deus, quando a vida está submetida aos impulsos dos demónios.”

É do transcendente que se trata e não da instituição que o representa. Parece que é isto que o Papa Francisco quer dizer, quando diz que vem a Fátima como peregrino e não como Chefe da Igreja.
Ainda bem que temos um Papa que vem de um outro mundo!!!

Maio 2017

João Baptista Magalhães

Obs: no próximo texto escreverei sobre a Quinta do Burgo no caminho de José Policarpo de Azevedo, acusado pelo Marquês de tentativa de regicídio.

terça-feira, maio 02, 2017

 

O abade de Jazente e a Senhora da Lapa

 .
Contexto da aparição de Nossa Senhora, no dia 13 de maio de 1758, em S. João da folhada

Por essa altura, segunda metade do séc. XVIII, era abade de Jazente, uma freguesia vizinha de S. João da Folhada, Paulino António Cabral de Vasconcelos. O Abade de Jazente, nome pelo qual ficou conhecido, fartava-se de percorrer a encosta do cabeço do Outeiro do Preiro, na Serra da Aboboreira, onde se dizia que Nossa Senhora tinha aparecido, em 13 de Maio de 1758, num enorme penedo, a três pastorinhas que ali guardavam umas ovelhas.

Por ali, o Abade costumava esquecer-se das horas no afã venatório que tanto gozo lhe dava. Gostava, sobretudo, de ver os seus cães a farejar nos trilhos que, entre o denso mato, os coelhos e as perdizes usavam para passar. Era na caça e na pesca que sentia o forte apego por esta terra, enquanto esperava pelos fins-de-semana para ir até ao Porto. Aqui tinha lugar cativo nos salões da aristocracia e da alta burguesia. O Pai, que exercia no Porto a medicina cirúrgica, e o irmão, Manuel, um temido magistrado do Santo Ofício, tinham-lhe, desde muito novo, aberto as portas dessa vida mundana. A partir das quintas-feiras, depois das suas funções sacerdotais, em Jazente ou na Lomba, onde nascera a 6 de maio de 1719, na Quinta do Reguengo, já estava de malas aviadas para tomar a diligência que, de Amarante, o levaria à Rua Chã, no Porto, onde residiam os seus pais.

Mas não era a casa paterna que levava na mente: tinha um programa à sua espera nesses salões de amplas dimensões, faustosamente decorados e mobilados, que davam dignidade aos palácios e às instituições culturais, como as arcádias. Aí ficava o centro da vida social, cultural e artística frequentada por fidalgos e burguesia endinheirada. Conheceu aí o negociante e influente político biscainho Bartolomeu de Pancorvo (um dos fundadores da Companhia de Agricultura e Vinhos do Alto Douro). 

Participava nas atividades da Arcádia Portuense, onde era apreciado pela sua veia poética (que, por vezes, se antecipava no erotismo à de Bocage) e nos convívios dançantes promovidos pela alta aristocracia. Gostava de trocar sorrisos e galanteios com as muitas damas que por ali se esmeravam nas gentilezas femininas, sempre prontas para com ele dançar ou jogar as cartas, o que era moda naquele tempo.

Isso carregava a sua imaginação, delineando estratégias que satisfizessem respostas para as espectativas luxuriantes que de convívio em convívio ia alimentando e que acabava sempre por concretizar. O ambiente era propício aos calores das paixões: os desenhos dos passos de dança matizados pelos reflexos das luzes dos grandes espelhos, rivalizavam com os quadros a óleo, cheios de sensualidade, dos discípulos de Fragonard, que ornamentavam as paredes dos salões que frequentava; os sorrisos sedutores que as damas decotadas e de cintilantes joias lhe devolviam; o murmúrio aprovativo que, no último baile, ouvira de uma das mais belas damas:


- “Que bem que o Padre Paulino dança! Que passos perfeitos! Que elegância e leveza!”

O Abade de Jazente sabia cultivar a sedução e aproveitava sabiamente os privilégios com que a natureza o favoreceu: era alto, bem constituído, de lábios grossos, um lascivo olhar e um insinuante sorriso que prendia num mundo de ansiosos desejos as damas e as donzelas. Depois, aperaltava-se sempre com o rigor da moda que vinha de França: usava peruca com cachos cobertos de pó de arroz, vestia batina à francesa, sem capa e com um pequeno cabeção de finíssima lila, meias de seda, lustrosas e bordadas, sapatos de salto alto adornados por enormes fivelas de puro oiro. Usava uma larga e comprida faixa de seda preta que lhe cingia elegantemente a batina em volta da cintura, deixando nas suas extremidades pender duas grandes borlas. Na mão, levava sempre um chapéu de pêlo de castor e deixava, ao passar, um agradável perfume, que as damas, de vestidos amplos e volumosos, com corpetes justos que realçavam os seios, gostavam de, discretamente, inspirar. Era o rasto afrodisíaco que criava ciúmes nos cavalheiros e acendia clarões de volúpia nas donzelas, sempre disfarçados com manifestações de agradável surpresa por o encontrar. Havia competição na audácia de lhe beijar a mão e, em troca das saudações de boas-vindas, ouviam galanteios.

Percebia-se que a sua presença acendia nas damas e donzelas desejos secretos que já não disfarçavam. Mas o Abade de Jazente gostava de se fazer rogado. Sabia, melhor que ninguém, que a aparente reserva acicatava o poder de sedução daquelas damas. E exercê-lo era, para elas, uma paixão e para o Abade a volúpia de as possuir.

Descrevia essas sensações em versos, como estes:

“Vinde cá doces musas, que somente
Divertir-me convosco agora intento,
Pois neste solitário apartamento
Não é fácil sem vós viver contente”.

Ou, então, neste soneto à sua predileta Nize:

“Tu queres, Nize, oh quanto podes, quanto
Sobre o sacro poder da liberdade!
Tu queres, que a chorada falsidade
Se desdiga outra vez em novo canto.

Que o mundo torne a ouvir, com mudo espanto,
Chamar-te em vez de falsa, Divindade:
E em lugar de culpar-te a variedade,
Dizer que sempre foste o meu encanto.

Assim será, se ficas bem comigo:
A vergonha, o dever rompe, e atropela;
Que eu me sujeito a tudo por castigo.

Oh vós , que já me ouvistes sem cautela

Contra Nize gritar; eu me desdigo:
Se faço mal, não sei; só sei, que é bela.


(In: Abade de Jazente, Poesias. Imprensa Nacional Casa da Moeda).

Nos salões da aristocracia portuense a sua presença despertava sempre nas damas mais afoitas uma ávida impaciência de o conseguir no passo de minuete ou tê-lo a seu lado no jogo de cartas. E o Padre Paulino, astuciosamente, como quem não quer a coisa, fazia que lhe calhasse na dança ou nas cartas a mais bela e loura, que denotasse fresca idade e servida das rotundidades e curvas que, ao tempo, preenchiam o ideal de beleza do mais exigente amante. Era só esperar por vê-la caprichar trocar com ele um olhar lânguido e logo tinha por mercê um convite para dançar ou ficar a seu lado num jogo de cartas.


E tratando-se de um jogo de cartas, mal os primeiros lances se davam, logo os mais distraídos compreendiam a razão de tão escaldante capricho: o melhor do jogo desenvolvia-se escondido pela toalha de seda bordada que cobria a mesa. Só se denunciava, quando uma dama soltava um gritinho e todos os olhares, com sorrisos de uma ironia mal disfarçada, iam na direcção do Padre Paulino. Era certo que, debaixo da mesa, as suas pernas tinham ido longe de mais, enfiando as enormes fivelas do seu sapato nas meias de seda da dama e ferindo-a no jogo de pernas que alimentava aquela tempestade de volúpia. Não resistindo à dor, a dama, que de olhos lascivos, se tinha esquecia do jogo, abria repentinamente as pálpebras e de olhar arregalado soltava um inoportuno “ai!!!...” E um fingido alvoroço punha intervalo abrupto naquele escondido jogo de sensualidade de que era exímio o Abade de Jazente.

Esta era a vida social do Abade de Jazente. Quando lhe falavam das aparições, respondia que eram fantasias de crianças e que não deviam ser levadas a sério. Mas, lá no fundo de si mesmo, perturbava-o a gente que passava à sua porta de diferentes condições sociais, mulheres e homens, a pé ou a cavalo, peregrinando em direcção ao sopé da lapa do cabeço do Outeiro do Preiro, onde Nossa Senhora aparecera a 13 de maio de 1757 a três meninas, pedindo-lhes que “fizessem penitência dos pecados, com jejum a pão-e-água nas primeiras sextas-feiras e sábados e que recomendassem isso mesmo a todas as pessoas que encontrassem”.

Por vezes, mas só no princípio da semana, este apelo, de que ouvia falar, trazia-lhe à memória o Padre Malagrida, a sua fama de santo e sábio. Sabia que era uma das mais importantes figuras da Ordem dos Jesuítas, com um trabalho de muitos anos de missionário no Brasil, fundador dos colégios mais prestigiados nessa colónia do Reino; que fora escolhido para confessor de D. João V e do Marquês de Lorna. E sempre que Malagrida lhe vinha à mente, fazia-lhe recordar a profecia de Soror Maria Joana do Louriçal, religiosa que tomou o hábito do Convento do Santíssimo Sacramento do Louriçal, a 16 de Julho de 1732, e falecera um ano antes do Terramoto, em 1754. Falava-se que tinha assegurado ao Padre Malagrida que Jesus Cristo lhe aparecera com uma cruz, em sinal da necessidade de se fazer penitência pela vida depravada que levava o Reino, prenunciando que não havendo reparação desses pecados, abater-se-ia sobre Lisboa uma tragédia. Seria o castigo divino para que se percebesse que a dissolução dos costumes contrariava os ensinamentos dos Evangelhos. (in: Manuel Coelho Amado, “Breve relação da vida, morte prodigiosa da Madre Soror Maria Joana, nossa irmã que faleceu a 25 de Março do presente ano (1754)”.

Nesses momentos, Paulino Cabral sentia um aperto na alma, mas desviava logo o pensamento para as expectativas do fim-de-semana próximo nos convívios dos salões do palácio do biscainho Bartolomeu e para as tertúlias da Arcádia Portuense.

Nesse tempo, última metade do séc. XVIII, a vida da gente de S. João da Folhada não se passava em salões, como acontecia entre a nobreza e a alta burguesia da Cidade do Porto, mas no trabalho duro a arrancar da terra o que precisavam para matar a fome dos filhos e no desespero de quem vive sem horizontes de esperança.

A miséria e a fome juntavam-se ao pavor que sentiam de Sebastião José, dos esbirros dos familiares do Santo Ofício, do meirinho de S. Simão de Gouveia Ribatâmega e dos visitadores da paróquia. O vinho já não podia ser vendido a retalho e receavam que o mesmo acontecesse aos cereais e a outros produtos.


O horror com que foram castigados todos os que participaram no protesto dos tanoeiros convertia-se num imenso medo que lhes tolhia o raciocínio e os reduzia a uma insuperável impotência e, sempre que passavam junto à Quinta do Vinhal, lembravam-se de que o terramoto tinha provocado a queda da torre-solar que enobrecia a casa e imaginavam o montão de ruínas e de mortos em que Lisboa se tinha transformado.

Não encontravam palavras que explicasse tanto horror e isso fazia-os virar para dentro de si mesmos, onde pediam a Nossa Senhora que não os abandonasse e que afastasse das suas vidas o diabo que banalizava tanto mal.

O pânico incrustara-se na alma dos folhadenses com um edital que, entretanto, o Marquês de Pombal tinha feito publicar, pelo qual “manda inquirir sobre as pessoas que tiveram práticas de dizer mal do governo, dando 220 mil cruzados a quem os denunciasse.”

Era mais uma acha para incendiar o pavor que sentiam. E ele era tão grande que, quando iam à missa ou ao cemitério velar familiares sepultados, baixavam a cabeça e alongavam o passo só para não deixar que o olhar se fixasse naquela ordem que continuava fixada à porta do cemitério e da igreja. Não era por indiferença ou desprezo, mas porque os olhos ao caírem no edital parecia que lhes abria no coração uma ferida que os fazia sofrer por lhes abafar o que Nossa Senhora terá dito às três pastorinhas que, entretanto, já haviam sido levadas para a sua companhia. 

Até aquela altura, só os santuários e as ermidas eram os únicos lugares consagrados à devoção dos santos. As aparições de Nossa Senhora não tinham para o poder eclesial ou do reino qualquer relevância, com exceção do Marquês do  Pombal, mas não era isto que sentia a gente que vivia na região que ficava em torno de S. João da Folhada, como veremos no próximo capítulo.

01 de Maio de 2017

João Baptista Magalhães

segunda-feira, maio 01, 2017

 

Um mundo às avessas e premiar às avessas

Pensemos no exemplo que vem dos E.U. e de França! De quem será a culpa de o mundo andar às avessas e premiar às avessas? Despreza a honestidade, pune o trabalho, recompensa o oportunista, o chico-esperto, o corrupto e pune quem defende a solidariedade, luta pela justiça e quer a transparência..
Será que uma lanterna mágica faz, como sendo natural, ver o mundo de pernas para o ar, como Eduardo Galeano coloca nos pregões da lanterna Mágica?

“Que se alce a lanterna mágica!
Imagem e som! A ilusão da vida!
Em prol do comum estamos oferecendo!
Para ilustração do público presente
o bom exemplo das gerações vindouras!
Venham ver o rio que cospe fogo!
O Senhor Sol iluminando a noite!
A Senhora Lua em pleno dia!
As Senhoritas Estrelas expulsas do céu!
O bufão sentado no trono do rei!
O bafo de Lúcifer toldando o universo!
Os mortos passeando com um espelho na mão!
Bruxos! Saltimbancos!
Dragões e vampiros!
A varinha mágica que transforma
um menino numa moeda!
O mundo perdido num jogo de dados!
Não confundir com grosserias e imitações!
Deus bendiga quem vir!
Deus perdoe quem não!
Pessoas sensíveis e menores, abster-se”.

Pregões da lanterna mágica do século XVIII


sexta-feira, abril 07, 2017

 

Nossa Senhora da Peneda

Por vezes não damos conta do que já vimos. Isso aconteceu comigo neste passeio de convivo que, no passado dia 6, me levou ao Santuário de Nossa Senhora da Peneda, numa das encostas do Gerês, área do Parque Nacional de Peneda e Gerês, a cerda de 51 km de Arco de Valdevez.
É um dos mais importantes santuários do País. Foi construído em 1875, em honra de Nossa Senhora que aí terá aparecido em 5 de Agosto de 1220. Disseram-me que a maioria dos seus devotos vem da Galiza, que está ali, bem perto. Talvez esta devoção dos nossos vizinhos venha do tempo da formação da nacionalidade. A celebração da sua romaria dá-se na primeira semana de Setembro.
Dispõe de um hotel, nos antigos dormitórios dos peregrinos e o santuário impõe-se numa alameda de velhas e frondosas árvores com que nos deparamos depois de subirmos uma enorme escadaria com cerca de 20 capelas, invocadoras da vida de Cristo.
Vale a pena visitá-lo. É mesmo monumental!



 
A guerra é, como dizia o Padre António Vieira, “aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e, quanto mais come e consome, tanto menos se farta”. O objetivo da guerra, de uma intervenção militar, nunca é o declarado! Quando é em nome da “legítima defesa” nunca poupa as populações civis; quando invoca o “direito de proteger” alarga o número dos desprotegidos e quando tem por lema a defesa dos “direitos humanos” ou impõe o regime democrático utiliza a hipocrisia para submeter povos e aproveitar-se das suas riquezas naturais.
A guerra é um monstro, quando é feita por Assad, quando é feita pelos terroristas e quando é feita por um qualquer idiota como Trump. Tem de haver forma de resolver conflitos sem ser pela guerra. “A guerra é aquela calamidade composta de todas as calamidades” como bem sublinhou o grande Pregador.
É preciso parar com esta brutalidade!


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